É preciso caprichar mais nas placas, faixas e cartazes

Observar os erros nas placas oficiais e nos avisos dispostos ao longo da obra na estrada RJ-163, sob a responsabilidade final do DER-RJ, aponta para uma displicência que não difere muito daquela que tem resultado em problemas na pista e nas encostas.

Se aceitarmos os pequenos erros – nossos ou do governo – não poderemos estranhar que ocorram também os grandes erros, como estamos testemunhando com relação à rodovia RJ-163, a nossa antiga estrada-parque. Tudo na realidade está interligado, e se adotamos esse princípio holístico, veremos que a leniência, que parece grátis, custa caro e não leva a nada, só à decadência.

Porém o mais importante, ao apontar esses erros gráficos ou ortográficos que vemos toda hora por aqui, oriundos do governo ou de agrupamentos locais, é ressaltar a necessidade de nos unirmos para evitar melhor as falhas e superar os desafios crescentes.

Se os atuais gestores públicos (e líderes empresariais) não insistissem em querer fazer tudo excluindo a colaboração dos outros atores em seus projetos, não errariam tanto. Quantos educadores, comunicadores, gestores ambientais, artistas plásticos, designers, vivem aqui, que poderiam evitar que eles errassem tanto sozinhos, quando lidam com comunicação e governança? Este é o ponto irrecorrível que não pode ser negligenciado nunca.

Abaixo, alguns exemplos de placas e publicações que não precisavam ser feitas de modo tão descuidado, dando um mau exemplo para toda a comunidade.


Não é assim que se abrevia Visconde. Usa-se "Visc." ou simplemente um "V.".

VIS é apenas o plural de VIL.

E por que “VIS.” está todo em caixa alta, seguido por "de Mauá - Penedo" em caixas alta e baixa? Nessa linha deveria estar tudo em maiúsculas e minúsculas, até para contrastar com as linhas seguintes, onde "RODOVIA VEREADOR QUIRINO" está só em maiúsculas.


Abaixo, na capa do Boletim "Canteiro de Obras" da Seobras-RJ, de outubro de 2009, ficamos sabendo que a "estrada-parque" iria da "Capelinha a Mauá" e da "Vila dos Imigrantes até a Maromba", e que Maringá é "pertencente à cidade mineira de Bocaina de Minas". Se escrevem assim, que dirá fazer estradas em terreno montanhoso e frágil em tempo de caos climático crescente.


Abaixo, em duas placas do INEA (onde devem trabalhar geógrafos e biólogos) afixadas junto às ETEs locais, a nossa região é chamada de "Alto do Rio Preto", quando o certo é acompanhar a norma exemplificada por Alto Amazonas, Baixo São Francisco, Alto Solimões, Baixo Tapajós, Alto Nilo, Baixo Mississipi, Baixo Gávea e Alto Leblon.
Outra falha: informa o prazo de execução (780 dias) mas não a data de seu início. 
Quem será que pintou e quem aprovou essas placas, afixadas nas três ETEs construídas na microbacia do Alto Rio Preto?


Há alguns meses, várias placas foram produzidas com o texto errado: “PASSAGEM PARA SÓ VEÍCULO”.
Porém alguém mais instruído e responsável percebeu o erro e mandou confeccionar o “UM” para ser incluído, meio apertado e deslocado, mas valeu.
Corrigir todas as várias placas instaladas ao longo da rodovia foi uma prova de respeito aos passantes, à cidadania e ao idioma.

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E quais serão os problemas com estas placas abaixo? Primeiro, o valor, pois a obra já começou custando mais do que isso, e hoje, após os aditivos, já se aproxima dos cem milhões de reais (quanto custará a contenção faraônica para aquele deslizamento catastrófico ?).
 

Ao lado e abaixo, três exemplos de placas erradas, desafiando a competência do cartazista e de toda cadeia de comando: quem aprovou o trabalho, quem autorizou a colocação, quem deveria fiscalizar, os engenheiros, os empreiteiros, os gestores públicos...

Quem foi abolido na nova reforma ortográfica foi o trema, não a crase, pois - como todos sabem - à esquerda, à direita e à frente se escrevem assim, com o "a" craseado.

O que custa fazer tudo bem feito? Ou o DER acha que está acima ou além da correção ortográfica?

 

 


Abaixo, placa da UERJ errada por trazer escrito "Estrada  Parque", sem o hifen, que faz parte inevitavelmente do nome, conforme, aliás, consta no decreto RJ 40979, de 15/10/2009, que define os parâmetros para estradas-parque no estado do Rio. Diversas vezes avisada, a equipe da UERJ resiste a colar uma tirinha de "contact" verde no local acertado.


Abaixo, cartaz-convite para seminário do INEA com "Estrada Parque" sem hifen e "nossso" com três "esses"